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Ao Passado
Capítulo
IV
Sonho,
pesadelo ou realidade?
A
casa de campo¹ de Nuno, vista por fora e somente a frente dela, não era
chamativa, tinha um porte grande, feita em sua maior parte de madeira de
eucalipto, tirando as portas e janelas que eram de Ipê fazendo um contraste
leve de cores, era divida entre varanda, primeiro andar, térreo, garagem e porão.
A varanda que circundava a casa possuía uma variedade de vasos com plantas,
algumas medicinais e outras ornamentais e bancos de madeira. No lado leste da
varanda, havia várias treliças de bambu com rosas brancas e vermelhas que
impediam os raios diretos do sol na casa, sendo assim, ela ficava fria por mais
tempo durante o dia. Neste canto, também ficava uma poltrona reclinável antiga
e de couro, onde Nuno gostava de ficar lendo livros e tomando chá ou chocolate
quente, ainda no lado leste da casa, ficava uma piscina, ele havia escolhido
este lado em específico por ser onde o sol nasce, isso deixava a água aquecida
durante a tarde por pegar todo o sol da manhã e do meio-dia, além, de poder se
bronzear. Um pouco mais afastado da piscina ficava um salão de festas/academia.
No lado sul, ficava o jardim, claro, por ser uma casa de campo, tinha árvore
por todo o lugar, além de todo canto ser coberto por uma grama que era aparada
periodicamente por Yoshie. Mas nessa parte em específico, ele havia
desenvolvido um jardim mais detalhado, com árvores frutíferas e alguns de seus
amados Ipês, onde embaixo de cada um, tinha uma mesa de madeira com quatro ou
seis cadeiras (NT: Ele ama todo tipo
de Ipê, e convenhamos, realmente é uma árvore linda, se não viu, procure ver),
mais a frente do jardim, ficava um rio raso que não chegava a suas coxas,
possuía uma água cristalina e se seguisse o curso do rio, chegaria a um pequeno
lago meio escondido na floresta, era um ambiente calmo, mas não fazia parte de
sua propriedade, ele descobriu um dia por acaso quando Dobby² (NT: Um de seus animais de estimação,
uma linda husky siberiana de pelo branco e marrom com inconfundíveis olhos
azuis. Ahh! E também uma peste em forma de cachorro. Também é uma referencia a
Dobby, o elfo doméstico ¬-¬”), era pequena e saiu para brincar, desaparecendo e
o deixando louco de preocupação, para no final, ele descobrir que ela estava
dormindo em meio aos puf’s da biblioteca. No lado oeste, ficava a amada parede
de vidro que ele tanto havia trabalhado para desenvolver. Costumava ficar
olhando o por do sol de dentro de casa durante a tarde ou então, ficava na
varanda se balançando em uma rede e olhando as árvores que se estendiam
descendo o morro, nessa parte, havia um declive, sendo assim, havia vigas de
madeira que sustentavam a varanda e a mantinham no mesmo nível do restante da
casa, nesse lado, também ficava a garagem, ligeiramente abaixo da varanda, não
era muito grande, só tinha espaço para um carro e sua moto.
O
interior da casa, mas precisamente o térreo, ficava a sala, diferente da
maioria das casas, na sua, não havia sofás, ao invés disso, sua sala era
repleta de puf’s de variados tamanhos, o chão era inteiro de madeira de
eucalipto, o que deixava um aroma refrescante no ar, os puf’s ficavam
espalhados em cima de um grande tapete felpudo e meio comido nas pontas (NT: Se pensou que a culpa era da Dobby,
você acertou! De primeiro, o piso tinha carpete, mas... Com a chegada dela, não
durou muito tempo), de forma “aleatória”, mas bem organizada (NT: Tipo quando você usa um estilo de
cabelo bagunçado, que na verdade você arruma para parecer bagunçado), tinham
diferentes tons escuros, seguindo um leve padrão de azul-escuro para preto, na
sala ainda havia um rack com uma TV, um home theater, alguns portas retrato com
fotos suas de infância com sua mãe e algumas centenas de dvd’s organizados por
gênero de filme (NT: Uma pessoa com
TOC foi detectada ¬-¬”), nas paredes, havia alguns quadros, uns que ele mesmo
havia feito, outros, eram da sua mãe. Ao lado dos puf’s, ficava a parede de
vidro, porém, tinha dias que não gostava de muita claridade, então nessa parede
em especifica tinha uma grande cortina dupla, que impedia que a luz do sol da
tarde o irritasse. A sala de estar, era compartilhada com a outra sala, esta,
possuía uma grande mesa com 10 lugares, ele raramente a usava, sempre gostava
mais de comer na cozinha, considerava mais prático. Também estava presente a
escada que levava ao primeiro andar e uma porta embaixo da escada que levava ao
porão e sua “adega particular”. A seguir, vinha a cozinha dividida entre a
parte moderna e a rústica, ele adorava acender o fogo a lenha, o calor que
proporcionava a casa era aconchegante, ao lado tinha a área de serviço
possuindo tudo que era necessário para se cuidar adequadamente de uma casa (NT: O que ele fazia muito bem, quando
ele estava em casa, Yoshie agradecia a Deus por não ter de espanar, limpar,
aspirar, encerar e etc.). No primeiro andar, ficava 05 quartos com um banheiro
em cada, um banheiro de uso geral e o seu escritório/biblioteca. Os quatro
primeiros quartos, eram todos para visitas, tinham um tamanho adequado para
duas pessoas, sendo assim, cada um tinha duas camas de solteiro, duas cômodas
com abajur em cima, guarda roupa com travesseiro, lençóis, forros de cama e
toalhas, o banheiro possuía o essencial, box, espelhos, pia e privada. O quinto
quarto, era o seu, sendo o maior (NT:
Lógico ¬-¬”), tinha uma cama de casal estilo Box, uma cômoda em cada lado da
cama, uma com abajur em cima e outra com um bonsai que Sra. Amaya havia dado de
presente a ele já há certo tempo. Seu quarto era o único que tinha janelas, que
na maioria das vezes, ficavam firmemente fechadas, nos pés da cama ficava um
baú antigo com travesseiro, lençóis e forros de cama, o quarto ainda possuía um
mini closet e o banheiro era o maior da casa, além do padrão, possuía uma
banheira com capacidade para duas pessoas. Em frente a porta de seu quarto
ficava seu escritório e biblioteca particular, na realidade era mais uma
biblioteca que de fato escritório, pra começar não havia mesa ou escrivaninha
alguma, mais uma vez, só tinha puf’s e tapete e várias estantes com livros e em
um canto isolado um cavalete que ele usava quando queria desenhar algo. A
decoração de sua casa era estranhamente diversificada, mas ao mesmo tempo
criava uma harmonização com tudo, sempre tinha algum choque de culturas ou
estilos nos moveis, mas não ficavam desagradáveis aos olhos, era um ambiente
que lhe proporcionava aconchego e tranquilidade.
Nuno
subiu as escadas segurando a maca junto com os outros três homens que vieram na
ambulância, não que Ender fosse pesado, ele havia até perdido bastante de sua
massa corporal devido à falta de ingestão de alimentos e falta de exercícios,
mas Nuno estava preocupado com os balanços desnecessários que poderiam acabar
machucando Ender de alguma forma, principalmente as costelas e os cortes na sua
perna direita. Então ele exigiu que todos segurassem a maca. As portas e a
escada eram bem espaçosas, logo, os quatro, não tiveram problemas em fazer o
transporte até o quarto de Nuno.
Após
chegar ao quarto, fizeram as manobras padrões para colocá-lo na cama, de forma
que minimizasse o máximo possível à quantidade de movimentos, contudo, quando o
passaram da maca para a cama, Ender exprimiu um leve gemido de desconforto,
quase inaudível, Nuno só ouviu, por ser o que estava próximo aos lábios de Ender.
Nuno se surpreendeu e por um momento achou que até poderia ser imaginação, mas
observou rapidamente as feições que Ender apresentava mesmo estando inconsciente
e soube que realmente ele havia tido uma reação bastante significativa. Por um
lado ficou contente que ele estava finalmente demonstrando indícios de
recuperação mais espontâneos, sem ser necessário algum tipo de estímulo
doloroso direto, por outro lado, ficou nervoso e apreensivo, pensando na “oração”
que ainda a pouco tinha feito.
Ele
arrumou um pouco os travesseiros na cabeça de Ender para que ele ficasse em uma
posição mais inclinada de modo que não ficasse muita pressão sobre seus ombros
e pescoço, colocou mais um sob sua perna para auxiliar na circulação sanguínea.
Ainda faltava repor o soro e colocar a sonda, mas ele deixou isso a cargo do
enfermeiro, suas mãos estavam entorpecidas demais devido ao frio que veio
sentindo, as luvas não o protegeu conforme ele esperava. Quando o enfermeiro
terminou os procedimentos, Nuno esticou um lençol sobre o corpo de Ender,
exceto sobre sua perna com os cortes, nesse local ele pôs um pano mais leve.
Ele
por fim agradeceu aos seus companheiros de trabalho, e os acompanhou até a
porta.
-
Obrigado por terem atendido ao meu pedido de última hora, acabei bagunçando
bastante o horário de vocês rapazes.
-
Tudo bem Nuno! Você já nos ajudou em várias ocasiões, era o mínimo que podíamos
fazer – Quem o respondeu foi o enfermeiro, seu nome era Levi, ele tinha 26
anos, era baixo, cerca de 1.65 cm, um pouco acima do peso, sua pele era
extremamente branca, seus olhos eram de um azul escuro, só era possível ver que
eram azuis quando ele tirava o óculos, seus lábios eram finos e com um leve tom
rosado, seu cabelo era de um castanho muito claro, quase loiro e usava como
estilo de cabelo um modelo mais tradicional, mais curto dos lados e mais longos
no topo da cabeça. Ele entrou mais ou menos no mesmo período que Nuno no
hospital, logo, os dois formaram certa amizade, mesmo sendo de setores
diferentes.
-
Isso mesmo. Sem falar que todos estavam curiosos pra saber sobre sua casa –
Dessa vez quem falou foi Páolo, o motorista da ambulância, era amigo de Levi,
os contatos que havia tido com Nuno era mais profissional, nunca chegou a ter
uma conversa informal com ele, mas Nuno já o havia ajudado quando ele próprio
precisou ser socorrido em um acidente, e ele nunca esqueceu como Nuno havia
sido cuidadoso com ele, Páolo, tinha 29 anos, 1.97 cm, 89 kg, era negro, tinha
um cabelo cacheado, mas não no estilo Black, seus olhos eram de um castanho
claro, não era aquele tipo de homem que tem uma beleza que se destaca dos
demais, era mais no padrão, contudo, esbanjava uma sensualidade na forma como
olhava e falava com as pessoas, o que lhe rendia certa fama de cafajeste. – A
propósito, é uma casa bonita pra caralho! – Ele falou enquanto olhava os
arredores da sala.
-
Obrigado! – Nuno sorriu – Qualquer dia desses, eu posso marcar um churrasco ou
algo do tipo e convido vocês para virem com mais tempo, esperem até ver como
aqui é durante o dia. – Nuno estava cansado e tudo que queria era que eles
saíssem para poder tomar o chá que a Sra, Amaya estava fazendo, ele até já
estava sentindo o cheiro doce de canela e queria também ir tomar um bom banho
quente em sua banheira, mas não queria ser rude com as pessoas que o ajudaram,
então ele continuou conversando por mais alguns minutos.
Levi
e Páolo que conduziram toda a conversa, Nuno ficou mais na base das respostas
ou comentários para complementar algo que os dois falavam. Nuno já estava quase
se aborrecendo quando uma voz interrompeu a conversa que fluía entre eles.
-
Caras, não é querendo ser chato, mas já são 22h47min, e tipo, não sei vocês,
mas... Eu quero ir pra casa e descansar, e Nuno está quase desmaiando de
cansaço bem na frente de vocês enquanto vocês falam sem parar. Pena que ele
está sendo educado demais pra mandar vocês calarem a boca ir embora! Se fosse
eu... Já tinha mandado todo mundo ir pra
puta que pariu! – Joca não era a definição de gentileza, ele era conhecido por “sempre
ser calado e por quando abrir a boca ofender todo mundo”, logo ele era o tipo
de pessoa que tendo ele do seu lado se zangando com outras pessoas, era
engraçado e divertido, mas, ter ele se zangando com você, era irritante e
tedioso. Ele tinha 22 anos, era um dos mais novos enfermeiros que compunham a
equipe do hospital, ainda possuía uma cara de menino em desenvolvimento, então
mesmo com 22 anos, aparentava ter uns 17, tinha 1,70 cm, cerca de 68 kg, sua
pele era um pouco avermelhada apresentando seus traços indígenas de forma bem
expressiva e seus cabelos era pretos assim como seus olhos.
Nuno
não conseguiu conter seu riso, os outros o acompanharam, mas com sorrisos tímidos
de quem se dá conta que estava fazendo algo errado. Aproveitando a deixa, Nuno
falou.
-
Eu concordo com o Joca! Até convidaria vocês a ficarem, mas tem a ambulância
que é preciso devolver e creio que precisem fechar algumas coisas ainda lá no
hospital, então nem vou perder tempo com isso – Nuno falou a verdade, mas em um
tom de brincadeira, de modo que levaram na esportiva.
-
Verdade! – disse Páolo – Tenho que deixar a ambulância lá, e está começando a
chover mais forte agora, é bom à gente ir logo.
-
Vamos lá então... – Levi, dos três, era o que mais se mostrava indisposto a ter
que ir embora.
-
Boa noite! Até! – Joca se despediu e nem esperou resposta, já saindo porta a
fora e correndo pra ambulância. Ele havia ganhado uma indicação de Nuno para
trabalhar no hospital e somente por isso, ajudou Nuno, ele não era muito
sociável, e geralmente, só ajudava as pessoas se ele tivesse alguma pendência
com elas.
-
Bem... – Nuno sorriu – Obrigado mais uma vez, deixei o portão aberto, então
quando passarem só precisa batê-lo para a tranca eletrônica ser ativada.
-
Certo. Boa Noite Nuno. – Levi falou enquanto saia pela porta, já Páolo só deu
um “Tchau” com a mão e saiu também.
Nuno
fechou a porta com um suspiro, logo ele apurou seu olfato sentindo o cheiro da
canela e de algo a mais e correu pra cozinha ver o que sua Obaasan estava preparando.
-
Nuno-Kun! Venha, sente aqui, lhe preparei alguns Taiyaki³, iguais aos que comia
quando era pequeno, lembra?
Quando Nuno viu os pequenos doces sorriu,
automaticamente lembrando-se de sua infância, quando ficava com a Sra. Amaya
por horas. Sempre quando chegava à tarde, ela contava histórias tradicionais de
sua cultura, enquanto ele ficava sentado no seu colo comendo os doces com os
ouvidos sempre atentos para não perder nenhum detalhe para quando sua mãe
finalmente chegasse, ele próprio pudesse contar as histórias para ela. Quando
ele se lembrou dessa parte, uma lembrança passou na sua mente.
- “Mamãe! Mamãe!
Escuta! Escuta! Tenho uma nova história pra te contar... É de como uma menina
que morava na lua e queria vir pra terra e”...
(NT: Referência a um conto japonês “A
Princesa da Lua – Kaguya”, tem um filme sobre esse conto, recomendo).
- “Depois Rey! Estou
ocupada, acabei de chegar em casa e tenho que ir a um jantar de negócios com o
seu pai mais tarde”.
- “Mas...”
- “Agora não, já disse!
Amaya? Amaya?!”.
- “Em que posso
ajudá-la Karleen-sama?”.
- “Leve o Rey para o
quarto e o coloque para dormir, não o deixe ficar na janela me esperando
chegar”.
- “Sim, com licença.
Vamos Nuno-kun?!”.
- “Não quero ir, quero
contar a história”.
- “Vamos, deixe sua okaasama descansar um pouco antes de sair
novamente. Venha! Venha! Vou te fazer mais alguns taiyaki e contar mais uma
história pra contar a ela quando voltar”.
-
“Está bem! Mamãe vai me ouvir quando voltar?”.
-
“Sim!”.
-
“Promete?”.
-
“Sim Nuno, agora me deixe descansar, sim? Vá com a Amaya e não me invente de
escapar do quarto e ficar sentado na janela da sala me esperando”.
-
“Certo!”.
- Nuno-kun? Nuno-kun? Está bem?
Nuno piscou os olhos algumas vezes, retornando de
suas lembranças, ele ainda estava parado no mesmo lugar.
- Sim, estou. Só lembrei-me de umas coisas. A
propósito, onde está Yoshie? – Era estranho ela não ter aparecido ainda. Como
ela havia estendido seu horário a pedido de Nuno, era para ela estar na casa e
ter o recebido quando chegou.
-
Foi em casa trazer Dobby, Severo e Nagini (NT:
Esses nomes só pioram...). Hahahaha. Acho que ela não suporta mais o
convívio com eles, dão tanto trabalho quanto você quando era pequeno – Yoshie
morava em outra propriedade, cerca de 1 quilometro e meio de distância – Como
começou a chover mais forte acho que ela resolveu esperar passar.
-
Vou ligar pra ela e dizer pra não se preocupar com isso e trazê-los somente
amanhã, a Sra. fica aqui hoje – Todo o cansaço e frio que Nuno estava sentindo
aos poucos foram sendo enfraquecidos pelo revigorante chá de canela e pelos
doces recheados com chocolate. Enquanto comia, ele relembrava coisas de sua
infância com Amaya. De alguma forma, ela lembrava a ele Nívea, tirando a forma
sempre dura e exigente que Nívea possuía.
Após
algum tempo conversando e enchendo a barriga, Nuno pegou seu celular e ligou
avisando a Yoshie para trazer seus “demoniozinhos” somente no dia seguinte. Ele
conversou por mais algum momento com sua Obaasan,
e quando ele viu que ela já estava começando a piscar os olhos mais que o
normal, ele resolveu sugerir se retirarem para ir dormir. Ela concordou
prontamente, então, Nuno a ajudou a subir a escada e a levar para um dos
quartos para visitas, colocou-a na cama e checou se ela necessitava de algo.
Ele se sentiu um pouco como se estivesse retribuindo as incontáveis vezes que
ela fez isso com ele, e se perguntou se ela sentia o que ele estava sentindo
nesse momento, um profundo sentimento de proteção e cuidado. Ela disse que não
precisava de nada e então ele apagou a luz, saiu do quarto, fechou a porta e
seguiu em direção ao seu.
Quando
ele chegou na porta, pode ouvir os sons baixos produzidos pela respiração de
Ender, ele tirou os sapatos antes de entrar e seguiu na ponta dos pés. Quando
chegou ao seu closet, guardou seus sapatos e procurou por um par de chinelos e
um conjunto de pijama. Quando encontrou tudo que estava procurando e deixou
separado, ele seguiu para o banheiro, ainda na ponta dos pés.
Ele
ligou a banheira e enquanto ela enchia foi ver quais sais de banho Yoshie havia
feito para ele, ela sempre o surpreendia com algo diferente, da última vez era
um com cheiro de hortelã, desta vez, era um com cheiro de camomila, ele
destampou o frasco e cheirou um pouco antes de espalhar sobre a água. Ele
encheu a banheira até estar um pouco mais de meia, tinha um forte costume de
tomar banho com a água bem quente, independente do clima, logo o vapor se
formou dentro de todo o banheiro, quando estava bem espesso, ele tirou sua
roupa e entrou na banheira, afundou na banheira até somente seu rosto ficar do
lado de fora, fechou os olhos e tentou relaxar.
“Ainda bem que me
proibiu de te esperar Mãe... Senão, estaria te esperando até hoje, sentado
naquela janela, esperando para te contar aquela história. Mas se eu soubesse
que aquela seria a minha única oportunidade de ter te contado. Eu teria
insistido... Mesmo que me batesse, isso doeria menos do que a promessa que
nunca pode cumprir”.
Seus
pensamentos vagaram sem rumo, indo de uma coisa para a outra de forma
aleatória, então de repente, uma imagem começou a surgir em sua mente e
juntamente com ela, um calor diferente do que a banheira estava proporcionando.
Ele começou a se lembrar de quando a enfermeira estava nervosa para colocar a
sonda em Ender e ele próprio teve que colocar, ele começou a se lembrar da
sensação de estar segurando algo tão... Quente.
Aos
poucos suas mãos começaram a explorar seu próprio corpo, sem que nem ele mesmo
se percebesse. Elas começaram simplesmente alisando com as pontas dos dedos
todo o seu peitoral e abdômen, fazendo leves movimentos subindo, descendo e
contornando seus músculos, aos poucos sua pele começou a ficar arrepiada, como
se a leve fricção de seus dedos sobre sua pele, produzisse incontáveis cargas
de eletricidade e se espalhasse por todo seu corpo. Seus dedos subiram até seus
mamilos e apertaram, dando pequenos beliscões nos bicos já rígidos, ele começou
a morder seus lábios enquanto suas mãos continuavam sua habilidosa dança e sua
mente projetava imagens cada vez mais ousadas em sua mente.
Agora
já não era somente o calor que aquele pau produziu na sua mão que estava
presente na sua fantasia, agora estava lá, a forma, a cor da cabeça que
apresentava um vermelho muito atraente, as veias salientes que em sua
imaginação ele podia até ver a pulsação do sangue passando por ali, e aos
poucos, ele viu aquele pau crescendo cada vez mais.
Suas
mãos acompanhavam o ritmo de sua imaginação, quando ele começou a imaginar o
pau de Ender ficando ereto elas automaticamente mudaram de foco, e desceram até
o seu próprio, que neste momento já estava completamente duro e pulsando, como
se ansiasse em ser tocado, quando suas mãos o envolverão ele soltou um gemido
abafado.
-
Ahhhhh!
Sua
respiração ficou rápida e pesada, e um grande arrepio percorreu todo o seu
corpo. Agora ele se via movimentando lentamente o pau de Ender, para cima e
para baixo, sem pressa, sentindo-o por completo em sua mão, da cabeça até a
base, da base até a cabeça. Suas mãos sincronizavam sozinhas os movimentos,
enquanto uma excitava seus mamilos e outras partes do seu corpo a outra sincronizava
com as ações que ele imaginava fazer no pau de Ender.
Agora
em sua imaginação, os movimentos de para-cima e para-baixo cessaram um pouco, e
seus dedos se centravam somente naquela cabeça vermelha, circulando,
massageando e apertando, deixando-a cada vez mais vermelha e sensível ao seu
toque, de modo que toda vez que apertava um liquido saia, facilitando para que
seus dedos deslizassem sobre a superfície vermelha.
Os
dedos dos pés de Nuno se contorciam incontrolavelmente, nunca antes ele havia
ficado tão excitado com algo, seus lábios já estavam ao ponto de sangrarem de
tanta força que ele estava colocando ao mordê-los. Seus dedos agora estavam
mais agressivos, mudando de leves passadas, para arranhões.
Nuno
agora já podia até imaginar a pulsação aumentando, o abdômen de Ender subindo e
descendo de forma frenética, expondo sua respiração acelerada indicando que o clímax
se aproximava.
Apesar
da urgência eminente em sua mente e seus estímulos, sua mão que estava em seu
pau, seguia com movimentos lentos e padronizados, o torturando e fazendo com
que ele se sentisse eletrocutado, soltando gemidos profundos e causando percas
de fôlego.
Quando
estava prestes a gozar, sua imaginação atingiu o ápice de todos os detalhes,
era quase como se ele estivesse realmente presenciando e realizando aquilo em
primeira pessoa, ele não resistiu à tentação daquela cabeça vermelha e se
inclinou para que seus lábios suculentos a envolvessem em um beijo... Quando
olhou para cima viu dois olhos castanho-escuro o encarando e lábios em uma
linha firme, sem espaço para sorrisos, abrindo somente para pronunciar palavras
que o faziam recuar.
-
Continua! Sempre soube que era um viado. Seu putinha de merda. Quem sabe não mando
uns caras te pegar pra fazer você sentir como é ser uma putinha de verdade e
ter seus buracos preenchidos com o que você gosta.
Agora
os lábios esbanjavam um sorriso perverso, enquanto só repetiam várias e várias
vezes “Continua, mama aí, sei que é disso
que gosta, você mesmo não veio me dizer que queria que eu te comesse uma vez?”
Nuno
abriu os olhos rapidamente, já não existia nada do calor que ele havia sentido
até ainda a pouco, mesmo a água ainda estando quente, tudo que ele sentia era
frio e uma profunda dor, que emanava do fundo de seu estômago, comprimindo tudo
dentro, fazendo com que sentisse enjoado e pronto para vomitar. Toda a
excitação que havia sentido, se dissolveu tão rápido quanto havia surgido, ele
nem chegou ao orgasmo, essa terrível cena sumiu com qualquer ânimo que ele
tivesse conseguido desenvolver.
Ele
se levantou e saiu da banheira, se enxugou com uma toalha parcialmente e logo
após amarrou seu roupão, esvaziou a banheira e saiu. Quando abriu a porta e viu
aquela imagem de um homem vulnerável dormindo como se fosse uma criança, teve
vontade de vomitar mais uma vez, uma profunda raiva surgiu de dentro de si, com
muita força de vontade ele desviou seu olhar e foi vestir o pijama, dessa vez,
batendo seus pés na madeira com toda a força que podia, enquanto repetia em sua
mente.
“Seis dias! Seis dias!
Tenho que aguentar somente seis dias! Eu consigo! Eu superei essa merda há
muito tempo! Sou Nuno Reynard, não sinto absolutamente nada por ninguém, exceto
por mim mesmo!”.
Quando
terminou, ele foi até aos pés da cama, onde ficava o baú antigo, e pegou um
lençol grosso, quando ele se virou estava prestes a sair para a sua biblioteca
pessoal, ele ouviu um pedido que sempre esteve em seu coração, mas que nunca
foi pronunciado em voz alta.
-
Mãe... Por favor... Não me deixe só! Está escuro demais aqui sem você, acenda
uma luz para mim, por favor!
Nuno
soltou o lençol que caiu com um baque abafado sobre seus pés e com olhos
arregalados olhou para Ender, que surpreendentemente, derramava lágrimas
enquanto dormia.
Nuno
se viu ali, de repente era como se ele e Ender fossem só uma pessoa, como se
ambos estivessem em coma, como se ambos tivessem em pé, era como se ambos
estivessem habitando o corpo um do outro ao mesmo tempo, e talvez só por essa
confusão que Nuno respondeu o que sempre quis ouvir para essa súplica quando
ele a fazia em silêncio.
-
Eu não vou! Estou aqui por você! Durma.
Isso
fez com que Ender normalizasse sua respiração e parasse de chorar, fazendo o
quarto silenciar novamente. Nuno piscou os olhos duas vezes e percebeu que
também estava chorando, ele não percebeu quando começou a chorar, nem
exatamente o porquê, mas rapidamente limpou as lágrimas, pegou o lençol no
chão, verificou e substituiu o soro de Ender, sem se atrever a olhar para ele. E
então saiu, fechando a porta do quarto rapidamente, antes que seu coração
explodisse, quando entrou na biblioteca, caiu em cima dos puf’s se enrolando e
afundando lentamente. Enquanto se perguntava.
“Isso é um sonho,
um pesadelo ou é a realidade?”.
Nessa
noite, ele não percebeu quando e nem como adormeceu.
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