Ligados
Ao Passado
Capítulo
IX
Uma
Última Canção Antes de se Reunir!
Lyandriam
Jayus sempre foi uma menina atrapalhada. De dez a cada nove vezes que algo de
ruim acontecia, ela era a escolhida. Ela sempre estava no lugar errado, na hora
errada, com a pessoa errada, com a roupa errada, com a atitude errada e com as
palavras erradas... Se a palavra azar fosse uma pessoa, certamente, seria ela.
Em
seu passado ela já esteve em diversas situações não convencionais, mas ela
sempre perseverou e atravessou seus desafios. Ela sempre foi uma mulher baseada
entre os extremos da ingenuidade e da sensualidade. Devido a isso, ela foi a
que sempre manteve os “outros dois” sempre unidos quando eram crianças. O jeito
despreocupado e infantil de Ender contrastava com o jeito perfeccionista e autoritário
de Nuno, e em meio a essas duas forças explosivas, ela que era a brisa que os
conduzia no mesmo caminho. Como? Ninguém sabe! Mas, era somente ela que fazia
os dois pararem e ouvirem alguém que não fosse eles mesmos.
Após
falar com Nuno, ela já começou os preparativos para sua viagem. Não que
precisasse de muito planejamento. Somente ajustes. Ela já estava com a viagem
marcada antes mesmo de receber a ligação de Nuno falando sobre a situação de
Ender. Talvez por obra do destino ou talvez não, desde que Ender havia voltado
ao Brasil que ela sentia uma enorme vontade de retornar também. Diferente de
Nuno, ela era extremamente ligada a sua família e após 2 anos e alguns dias,
finalmente o peso da saudade começou a esmagar seu coração, principalmente, nos
últimos 8 meses em que esteve morando sozinha.
Era
inevitável pensar em um, sem que pensasse no outro e consequentemente se
lembrasse dos três juntos. Ela passou certo tempo após a ligação sentada no
sofá da sala, terminando a garrafa de vinho que estava tomando mais cedo,
enquanto ainda estava com alguma expectativa de que sua vida sexual desse
certo, pelo menos uma vez. Não que ela particularmente gostasse do sabor do
vinho, para ela o gosto amargo e meio cítrico da bebida a deixava enjoada,
preferia bebidas mais fortes e doces, mas ela precisava abafar a ansiedade que
sentia em voltar o quanto antes para a “reunião”.
Mais
cedo naquele dia, havia marcado “uma noite” de despedida com suas amigas em um bar
que oferecia música ao vivo no estilo karaokê. Sem Ender para fazê-la companhia
em casa, essa tinha se tornado sua nova rotina diária, acordar de ressaca,
correr para o trabalho em uma clínica pediátrica, comprar alguma porcaria para
comer no caminho, cumprir seu horário, sair, ir para a academia gastar toda a
caloria que acumulou durante o dia, voltar para casa, tomar um banho, sair
novamente, se divertir até dizer chega, voltar destruída para casa carregada
pelas amigas, apagar e repetir todo o ciclo novamente. E claro! Se de alguma
forma surgisse uma oportunidade com algum cara, não tentar estragar tudo com
seu azar logo na primeira noite.
Ao
finalmente decidir aprontar-se. Ela seguiu os movimentos que seu corpo já havia
memorizado após tanto repeti-los, vestiu um vestido preto colado ao seu corpo,
ele ficava no meio de suas coxas e em seus seios, havia um decote que os
deixavam aparentemente maiores do que eram e nas costas ele era aberto. Para
complementar o visual, ela colocou uma meia calça de renda preta e uma bota de
cano alto com salto fino e deixou uma jaqueta na cama esperando para quando
terminasse a maquiagem. Ela sabia valorizar seus atributos, principalmente,
seus olhos verde-escuros, que contrastavam com o escuro de suas roupas. Sempre
procurava priorizar algo leve em seu rosto, diferente de suas amigas que na opinião
dela, tentavam competir com o coringa. Quanto ao seu cabelo, não havia
absolutamente nada para fazer com ele, como era comprido e liso, chegando a
bater na polpa da bunda, ela optava por deixa-lo solto. Segundo ela, “era trabalhoso demais fazer diversos
penteados toda vez que fosse sair”, logo, ela só fazia algo diferente, se
fosse uma ocasião especial.
Quando
terminou de se aprontar, ficou se encarando por um tempo em frente ao espelho.
Era uma visão a ser admirada, mas não inesquecível. E isso a frustrou. Hoje. Ela
queria ser o centro de todas as atenções. Então mesmo sabendo que se atrasaria
ela voltou para o banheiro e lavou o rosto, desfazendo toda a sua maquiagem.
Pegou um de seus celulares e começou a percorrer suas playlist’s. Ela sempre tinha uma música para qualquer situação,
qualquer pessoa, qualquer sentimento, para qualquer coisa.
“O que necessito?...
Preciso de algo que me de destaque, mas que não me faça parecer uma louca desesperada...
Vejamos... Se juntar o fato de ser abandonada há poucos minutos atrás, juntar a
ligação do Rey, saber que ele está com o End, à saudade de casa e meu desejo de
ser um grande destaque naquele bar hoje para manter minha imagem viva até o meu
retorno... Então terei... Essas duas aqui¹!”
Ela
apertou o play e ficou escutando e cantarolando um pouco, até que os
sentimentos que a música passava a alcançasse e crescesse dentro de si. Quando
isso finalmente aconteceu, ela recomeçou sua maquiagem. Quando terminou e se
olhou novamente no espelho, ela sorriu aprovando o que via. Olhos que se antes transpassavam doçura, agora passavam, em uma palavra singular “PERIGO”.
Pegou
sua jaqueta e saiu do quarto enquanto ligava para dizer que já estava a
caminho.
Ao
chegar ao bar foi recebida pelas suas duas amigas, que conheceu no intercâmbio
e chamavam-se Clara e Clarice. Elas contavam basicamente como uma só, as duas
eram irmãs gêmeas idênticas, e mesmo após um ano e meio, ela evitava as chamar
pelo nome diretamente em um comprimento, só dizendo coisas como “Hey!” ou “Olá garotas!”.
-
Hey, garotas! Prontas para terem uma noite inesquecível?
-
Sempre! Mas, antes disso... Quem é você mesmo? – Clarice falou. Ela era a mais
“solta” das três.
-
Gostou? – Lyan deu uma volta, fazendo seu imenso cabelo balançar com o vento,
despertando a atenção de algumas pessoas que passavam.
-
Você está incrível... Pelo visto a noite de hoje deu certo pra você hein? Quero
todos os detalhes!
-
Queremos! – Clara era a típica quieta que só demonstra suas garras ao falar de
“certos assuntos”.
-
Ele foi incrível... Nunca me senti tão excitada... – Ela começou com um sorriso
duro em seu rosto.
-
Pelo sorriso forçado... Não deu em nada. O que houve dessa vez? – Clarice era expert em análise corporal. Sua formação
consistia em linguagem corporal no uso de diagnósticos preventivos voltados a
sanidade mental. Em resumo, Lyan era uma de suas “cobaias” de estudo constante.
-
Ah! – Ela suspirou – Estava tudo indo muito bem... Até eu receber uma ligação
no meu celular da família... E passar certo tempo conversando com meu primo Rey
e depois...
-
Wow! Wow! Wow! – Clara a interrompeu – Rey? Esse não é “O Primo que nunca deve
ser mencionado”, é?
-
Sim é ele... Mas...
-
Que história de “primo sem nome” é essa gente? – Clarice que interrompeu dessa
vez - Vocês sabem que não gosto de ficar de fora das conversas. Anda logo,
conta a história. Agora! – Ela falou olhando para Lyan e logo após olhou para
sua irmã – Clara, já que você ouviu a história... Desaparece! Vai procurar um
bom lugar para nós lá dentro enquanto eu fumo um cigarro e escuto essa
história.
- Ai! Como você é chata hein Clarice!
Só vou por que da última vez ficamos naquela mesa perto ao banheiro masculino e
presenciei cenas que me dão náuseas até hoje.
-
Agora você sabe o que passo todo dia quando tenho que ver uma pessoa com uma
personalidade tão sem graça quanto a sua, tendo a mesma fisionomia que eu –
Clarice retrucou e logo após sorriu.
-
Juro que se vocês não fossem minhas únicas amigas aqui... Eu mataria vocês! Só
avisando... Se me interromperem de novo vou socar a cara de vadia de vocês.
-
Você fica tão nervosa quando não transa amiga! Relaxa! – Clarice retirou um
cigarro e o acendeu – Então... Quem é esse primo que não conheço?
-
O nome dele é Nuno Reynard...
-
Esse não é o nome do um aluno preferido de um dos professores que tivemos? Como
ele o chamava mesmo? O futuro “médico prodígio”? Acho que esse seu primo devia
ser um puta puxa saco desse professor – Clarice após uma tragada olhou para
Lyan – Desculpa, te interrompi sem querer – Ela sorriu – Só pensei alto.
-
Sim – Ela inspirou buscando manter a paciência – É ele, mas está errada quando
a ele ser um “puxa saco”, geralmente,
ele costuma ser aquele tipo de pessoa que quase todos odeiam, mas que não podem
falar nada devido a ele ser bem competente no que faz. Até onde sei... Nenhum dos
pacientes que chegou até ele, chegou a óbito estando aos cuidados dele.
-
Menina, como você tem um primo desse nível e não apresenta as amigas? – Clarice
estava indignada.
-
Acontece... Querida! Que eu não falava com ele há seis anos. Lembra-se do que o
End falou uma vez? Sobre haver duas pessoas que o ódio dele nunca teria um
limite? – Clarice assentiu – Então... Uma dessas pessoas é meu primo. Há 10
anos eles brigaram e pararam de se falar... O motivo eu não sei de certeza, só
suspeito... E antes que me peça para falar sobre isso... Eu não falarei! Demorou
muito tempo para que eu superasse a cena que vi. Mas depois dessa briga, os
dois mudaram muito, inclusive comigo. Mantive-me no limiar entre um e outro.
Até o Rey sumir da face da terra e eu, ficar ao lado daquele que me permitiu
continuar na vida dele, no caso, o End. Então, esses anos se passaram sem que
eu falasse com ele, somente ouvindo uma coisa ou outra da minha Tia ou quando
aquele professor mencionava algum exemplo das habilidades dele em sala.
-
Caramba! Bastante tempo pra alimentar rancor, não?
-
Ele é complicado... Ele e o End são como água e óleo às vezes, mas... Em certos
aspectos são extremamente parecidos. A teimosia e o orgulho são exemplos disso.
Enfim... Resumindo a história é isso. Uma briga de melhores amigos, que
passaram a serem arqui-inimigos pelo resto da vida deles.
-
Entendo o jeito de Aiyra... E como entendo... Já tem mais de sete meses que ele
não me liga, e quando eu ligo minhas ligações nunca completam... Mas deixando
meus problemas de lado, então... E essa ligação que ele te fez? Por que disso
agora? Ele quer fazer as pazes ou o quê? – Clarice encostou-se à parede
enquanto afiava seus ouvidos para as respostas. Algo nessa história a deixava
intrigada, principalmente por envolver seu namorado extremamente calado que
nunca havia dito nada com relação a esse ódio pelo primo da Lyan.
-
Não... – Lyan desviou o olhar – “Puta
merda! Não posso jogar a bomba do acidente de End assim do nada. Na correria
que foi tudo isso. Acabei por me esquecer de falar para ela sobre ele. Mas também
não posso hesitar na resposta, ela já deve estar contando quantos milésimos de
segundo estou demorando em responder, já deve estar olhando meu corpo, as
alterações do meu comportamento... Calma! Se mantenha! Não se apavore e vai dar
tudo...”.
-
Sua hesitação e desespero em disfarçar para que eu não perceba que está
omitindo algo chega a ser cômica Ly – Clarice sorriu.
-
Okay. Está bem! Nuno me ligou para solicitar o endereço do End... Ele sofreu um
acidente de carro e acabou parando nos cuidados do meu primo. O hospital que
ele trabalha é bem... Rígido... Quanto a sua funcionalidade. E após dois dias
ou foram três dias, não me recordo direito... Enfim, após esse tempo com ele
desacordado e ocupando um leito que não estava rendendo “lucro” para o hospital.
Começaram a pressionar para que meu primo aprovasse a transferência para outra
unidade, como é o comum de acontecer.
-
Pelo que ouvi... Isso teria sido bem mais simples para o seu primo. Não? –
Clarice mantinha uma calma com a notícia que chegava a perturbar qualquer um.
-
Sim... Mas ele é muito... Como posso dizer... Não sei... Ele só queria
assegurar que o End fosse para um local de qualidade eu acho, sobretudo, devido
ao quadro em que ele estava. Mesmo não sendo minha área... Estados longos de
inconsciência nunca é um bom sinal.
-
Isso é verdade... – Clarice continuou tragando seu cigarro até terminá-lo.
Quando terminou usou a ponta dos dedos para apagá-los e depois os jogou no
lixo.
-
Isso sempre me surpreende. Como não queima seus dedos fazendo isso? – Lyan
enrugou a testa expressando sua curiosidade e confusão.
-
Hahahaha! – A risada de Clarice de alguma forma tinha um tom obscuro nela – Ai
Ly! Vou te contar uma coisa. Quem aguenta a temperatura do End, suporta
qualquer fogo.
-
Hahahaha! Por essa eu não esperava – Lyan sorriu, mas sem humor, somente para
preencher o vazio.
-
Então? Como ele está agora? Para onde ele foi encaminhado? – O riso de Clarice
sumiu tão rápido quanto surgiu.
-
Eu depositei na conta do meu primo o valor das despesas que o hospital teve e
um acréscimo para medicamentos. Segundo meu primo ele está “estável”, e quanto
ao lugar em que ele está, é no Espírito Santo, provavelmente, na casa do meu
primo sob os cuidados direto dele – Lyan após falar isso, começou a dar a se
virar para entrar no bar, mas foi impedida rapidamente.
-
Ele o quê? – Clarice pegou no braço de Lyan e a puxou para trás. Não era comum
ver Clarice nervosa.
-
Clarice. Calma. Ele está bem. Nuno é um ótimo profissional. Estarei me reunindo
com eles e tudo ficará bem. Eu mesma cuidarei do End...
Clarice
a encarou e ficou em silêncio, enquanto ainda a segurava, quando por fim
resolveu soltá-la, ela estava com um olhar duro e perspicaz, mostrando que
tinha tomado uma decisão - Isso não será necessário.
-
Hãn?
-
Não será necessário! Eu estarei lá com vocês e Eu mesma cuidarei do meu
namorado. Então... Quando iremos?
“PUTA QUE ME PARIU!
COMO VOU FAZER OS DOIS SE ENTENDEREM COM ELA LÁ? AI MEU DEUS! SOCORRO! O QUE EU
FAÇO?”
-
Clarice. Estou indo daqui a dois ou três dias. Como acha que conseguirá uma
passagem em tão pouco tempo?
-
Lyan... Em 1 ano e meio que nos conhecemos... Alguma vez já tive algum desejo
ou objetivo não realizado? – Ela cruzou os braços e esperou pela resposta.
-
Não... – Lyan suspirou.
-
Então linda... Dessa vez não será diferente. Agora vamos lá dentro começar NOSSA
“noite de despedida”. – Clarice
passou como um raio ao lado de Lyan, entrando no bar e procurando a mesa em que
sua irmã estava esperando.
Lyan
permaneceu do lado de fora ainda pensando nas consequências que essa
reviravolta pode acarretar nos planejamentos dela. Frustrada, ela andou um pouco
na calçada para se acalmar. Quando passou em frente a uma vitrine de uma loja
de bijuteria, um colar chamou sua atenção. Era uma réplica do símbolo das
relíquias da morte feito de prata. Automaticamente, ela soube que havia achado
o presente certo para certa pessoa. Ela se inclinou para olhar melhor. De
repente seu corpo enrijeceu com uma voz que surgiu de trás de si. Uma voz
estranhamente familiar...
-
Lyandriam... Como é possível que apenas 10 anos tenham transformado aquela
menina em uma mulher tão poderosa assim? Sabia que me irmão estava perdendo uma
mulher valiosa no momento em que o vi recusar seu beijo...
Ela
ficou ereta e virou rapidamente, dando de cara com um rosto que não havia
mudado em nada com o passar dos anos. A única diferença da pessoa que ela viu
há 10 anos, e essa, era a frieza nos olhos... Que agora estava bem mais forte e
acentuada.
-
Enzo? – Ela estava surpresa, e um pouco amedrontada com a presença opressora
que ele transmitia. Sobretudo, quando ele sorria.
-
Não é possível que eu tenha mudado tanto assim. Então, qual é? Não me trate
como um completo estranho.
-
Não... Não é isso... É só que... Pegou-me de surpresa – Ela tentou sorrir –
Mas... É... O que. O que faz aqui?
-
Estou procurando meu irmão... Sabe, tem algum tempo que não tenho contato com
ele e o processo sobre as empresas está estacionado porque ele simplesmente
resolveu sumir. Achei que o encontraria por aqui...
-
Sim, mas o que faz... Exatamente aqui? – Ela o interrompeu e indicou os
arredores, querendo mostrar para ele que estava falando no sentido de “Como você me achou aqui?”.
-
Ohh! Sim! Fui ao seu apartamento e o porteiro disse que você havia saído. Perguntei
se ele tinha alguma ideia de para onde você tivesse ido e ele disse que
provavelmente você tinha saído com suas amigas para um bar que vocês sempre
frequentavam. Perguntei se ele sabia mais ou menos o lugar e ele me disse as
ruas...
-
Okay...
-
Então... Onde está o meu irmão? Sabe de alguma coisa? – Enzo perguntou com um
olhar de ansiedade crescente.
-
Enzo, então... Sobre o seu irmão... – Por um momento Lyan quase disse sobre
tudo o que aconteceu com Ender, contudo, por algum motivo, ao olhar nos olhos
de Enzo, suas palavras sucumbiram em meio à desconfiança – Eu... Realmente não
sei onde ele está. A última vez que falei com ele foi cerca de oito meses
atrás. Após isso, não falei com ele e...
-
Lyan, não vai entrar nessa porcaria de bar? Estamos esperando... – Clarice a
interrompeu enquanto se aproximava. Quando visualizou Enzo, ela parou
abruptamente – Ender?
“FODEU DE VEZ AGORA!
Puta merda! Tem como piorar essa porra?” – Lyan só podia
pensar em como contornar a catástrofe que estava se formando em sua frente.
Enzo olhou para Clarice com seu habitual olhar
de indiferença.
-
Não! Sou irmão dele na realidade. Prazer em conhecê-la! Chamo-me Enzo Ayira. E
já sei – Ele sorriu – Nossa semelhança física é assustadora. E você quem é?
-
Ohh! Sim! É... Eu sou Clarice Louíse... E nossa – Ela sorriu enquanto se
aproximava devagar – Vocês realmente são bem parecidos. Sempre tive curiosidade
em conhecer meu cunhado, mas Ender não fala muito sobre a família de vocês. Na
realidade, ele não fala muito com relação a nada – Ela sorriu novamente.
Enzo
apenas sorriu para Clarice.
-
É! Então, Enzo. Como estava te dizendo eu realmente não sei onde ele se
encontra, lamento você ter viajado até aqui para nada. Se nos der licença,
temos um “pequeno show” para dar –
Lyan começou a empurrar Clarice em direção à porta do bar.
Clarice
estava hipnotizada com a semelhança de Enzo e Ender, contudo, ainda assim, ela
foi capaz de perceber que Lyan, por algum motivo estava escondendo as
informações sobre onde Ender estava e com quem estava.
“Esse comportamento da
Lyan não é comum. É a segunda vez que ela tenta guardar essas informações somente
para ela. O que será que ela quer com isso?” – Se tinha uma
coisa que Clarice era mestre, era em virar qualquer situação ao seu favor, e
desta vez, não seria diferente. Sendo assim, ela forçou-se a ficar no lugar,
resistindo aos empurrões de Lyan.
-
Como assim não sabe onde ele está? Você me disse hoje que havia recebido uma
ligação do seu primo, informando que Ender havia sofrido um acidente de carro e
que ele ficaria na casa desse seu primo lá no Espírito Santo. Está com perca de
memória recente Ly? – Clarice deu seu sorriso travesso e a cutucou, forçando
Lyan a expressar um sorriso.
-
Wow! Estou surpreso. Não imaginava que meu irmão ainda tinha contato com o seu
primo. E por que estava escondendo isso de mim? – Enzo olhou para Lyan,
perfurando-a com seus olhos castanho-escuros. Ele havia percebido que Clarice estava
“jogando” com a situação e, portanto, ele jogaria também.
-
Bem... Desculpe Enzo... Mas... Acontece que...
-
Certamente ela deve ter tentado fazer o mesmo que tentou comigo. Ela optou por
não me contar e ir até ele para cuidar e trazê-lo de volta. Certo? – Clarice
falou olhando diretamente para ela.
-
Sim... É justamente isso, eu não queria preocupá-los. Sinto muito! – Lyan
sentia-se como se dois abutres estivessem encarando uma carcaça prestes a ser
devorada, com seus olhos cravados no exato local onde atacariam primeiro. Ela
não tinha as habilidades necessárias para enfrentar e se defender das
investidas dos dois ao mesmo tempo. Clarice ela já a conhecia e sabia muito bem
que era impossível ganhar dela em argumentos e manipulações, quanto a Enzo...
Somente a aura obscura que ele emitia, já mostrava a ela que ele era tão
perigoso, quanto Clarice em seus piores acessos de egocentrismo.
-
Que gentil de sua parte. Mas... Ele é meu irmão. É um direito meu saber sobre o
estado de saúde dele, certo?
-
Sim... Você está certo. Lamento pelo que fiz. Aos dois – “Cheguei a um ponto sem volta”.
-
Bem... A forma de se redimir é fácil, não é? – Mais uma vez, Clarice cutucou
Lyan.
“Pelo amor de Deus
Clarice, não diga o que estou pensando o que irá dizer. Qualquer coisa menos
isso!” – Lyan implorava em silêncio, olhando para Clarice em
súplica.
-
Qual seria? – Enzo perguntou a Clarice, que havia deixado a pergunta solta no
ar para causar impacto em Lyan.
-
Simples! Você irá conosco quando formos para o Brasil daqui a poucos dias. Já
imaginou a felicidade que o End ficará ao ver nos três de uma única vez?
-
Certamente ele irá morrer de tanta felicidade – Enzo sorriu.
Para
Clarice parecia ser um sorriso de quem a compreendia e sabia das intenções
dela, e isso, deixava-a estranhamente contente, já para Lyan, parecia o sorriso
que o demônio dava toda vez que ganhava uma nova alma no inferno.
“Lamento Rey! Parece
que as coisas ficaram complicadas para vocês se entenderem com esses dois
agregados as minhas costas. Não conseguirei ajudar você e o End a se
entenderem. Só espero que esses dias que consegui com vocês dois juntos acabem
modificando alguma coisa entre vocês” – Lyan sorriu em
conjunto com as duas pessoas a sua frente, mas logo ela encerrou aquele
momento. Já estava farta, de mais uma vez seu azar atrapalhar seus planos –
Enzo sinta-se convidado para se reunir conosco e nos ouvir cantar.
-
Wow! Vocês cantam? Estou surpreso. Não me recordo de meu irmão mencionar que
tinha esse talento somente recordo-me dele mencionar seus atributos.
-
Hahaha! – Lyan sorriu de forma constrangida – Bem... eu...
-
Sim, todas nós cantamos nesse bar às vezes. Minha irmã e a Ly são meus apoios
vocais. Sempre arrasamos – Clarice interrompeu Lyan.
-
Então você é a estrela do trio, hãn? Meu irmão sempre mira alto, certo? – Enzo começou
a provocar Clarice, que demonstrou ser tão provocativa quanto ele.
-
Se ele é mais novo que você e mira tão alto assim. Só posso imaginar a altura
que você alcança. – Ela sorriu enquanto encarava Enzo.
Vendo
toda essa cena se desenvolver em sua frente, Lyandriam estava começando a
sentir-se enjoada com tamanha falta de decência em ambas as pessoas a sua
frente. Provavelmente, se não fosse por Clara, Lyan e Clarice nem seriam “amigas”
e quanto a Enzo, desde a primeira vez que ela o havia visto que não gostou
dele.
-
Okay! Okay! Já chega de conversar, vocês dois! Vamos lá! Vamos ter nossa última
canção, antes de nos reunirmos – Sem mais nenhuma palavra, Lyan saiu andando
entrando no bar, deixando os dois para trás.
“Desculpe Clarice, mas
hoje somente uma estrela irá brilhar. E não será você! Hoje! É a minha última
canção, antes da minha reunião com meus amores. Não terá espaço para seu humor
ácido e para a sombra escura de seu novo amigo”.
Lyan
viu Clara sentada em uma mesa em frente ao pequeno palco, onde já havia uma
pessoa cantando alguma música country que ela desconhecia, e que também não
estava interessada em conhecer.
Assim
que ela chegou à base do palco, a música acabou e ela subiu, passando na frente
de algumas pessoas que haviam se inscrito primeiro que ela. Caminhou até onde o
dono do bar estava segurando o microfone e com um piscar de olho e um sorriso,
arrebatou o microfone da mão dele.
-
Olá! Desculpem-me por estar passando na frente de vocês. Mas só cantarei esta
música antes de ir embora, após isso, garanto que não pegarei nesse microfone
nem tão cedo novamente – Clara a olhava de forma confusa sem entender o que
estava acontecendo. Clarice tinha a mesma expressão que sua irmã da porta do
bar, ela não conseguia acreditar que seu posto estava sendo arrebatado dessa
forma. Já Enzo, caminhou até ficar próximo ao centro do bar, deixando Clarice
plantada na porta.
-
Bem... A música que irei cantar é uma despedida, e também, uma promessa de
reencontro com a minha felicidade e com pessoas muito especiais para mim.
Espero que gostem e se identifiquem. A música é If Today Was Your Last Day do
Nickelback²…
Informações;
¹ - As músicas
selecionadas na playlist são de uma Série chamada “Star Cast”. As músicas são: I
Bring Me ( https://youtu.be/g5Z904AccvM
) e Man ( https://youtu.be/wy2MFbomVTU
).
² -
https://youtu.be/lrXIQQ8PeRs
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