Ligados
Ao Passado
Capítulo
II
Ligações são estabelecidas – Aquela entre o Ponto A
e B
Após dois dias do acidente, Ender ainda
não havia acordado, mesmo que o funcionamento de seu corpo estivesse em total
sincronia. Preocupado com seu estado, Nuno havia solicitado alguns exames
básicos na manhã do segundo dia, para checar melhor a saúde de Ender,
finalmente, durante a tarde o resultado dos exames que havia solicitado
chegaram através das mãos de Nívea, ela o encontrou em seu “cantinho
particular”. Sempre que Nuno se via sobrecarregado ou preocupado com algo ele
caminhava pelo jardim terapêutico¹ do Hospital, e descansava em um banco
ligeiramente escondido sob um Ipê Branco², enquanto olhava as pessoas que
buscavam relaxar ou forças para continuar lutando pela sua recuperação. Nívea
com o passar dos anos havia adquirido uma incrível capacidade de andar fazendo
o mínimo de ruídos.
- Okay! Okay! Vamos lá, me conte tudo
sobre este rapaz, de onde o conhece?
Com essa pergunta, os músculos de Nuno
ficaram rígidos e toda sua tensão voltou novamente, tentando disfarçar sua
tensão, respondeu.
- Puta que pariu! Nunca vou me acostumar
com você chegando assim do nada. Me diga. Te ensinaram técnicas ninjas também
nos anos 80 ou fez algum curso extra depois?
Nívea conhecia Nuno o suficiente para
saber quando ele tentava se livrar de uma situação desagradável ou não falar
sobre algum assunto.
- Só pra deixar claro! Não entregarei o
resultado dos exames até que me conte.
Sem muito que fazer, Nuno suspirou,
buscou relaxar um pouco enquanto encarava o tapete branco (NT: referencia as flores do Ipê) estendido pelo chão sob seus pés e
por uma pausa de uns 2 segundos não disse nada, somente depois, ele ergueu seus
olhos fixando nos olhos incrivelmente vívidos de Nívea.
- Pode-se dizer que o conheço de uns 10
ou 12 anos atrás, bem... Éramos amigos, talvez?
Não, não seria exatamente esse o caso, hmmm, deixe-me ver como posso
descrever – assim que falou isso, mordeu seu lábio inferior, hábito que fazia
sempre que se distraia, vendo isso, Nívea inspirou e sentou-se ao seu lado no
banco, ela sabia que isso demoraria décadas.
- Ahh sim, já sei como posso descrever. Bem,
imagine uma reta, em uma ponta estará o ponto A, na outra ponta, estará o ponto
B. Certo?
- Cer...
- Foi uma pergunta retórica, não precisa
responder! Enfim... Continuando... Se é uma reta, esses dois pontos não podem
se encontrar por serem antagônicos, são opostos, portanto, mesmo que sigam nas
mesmas direções, nunca se encontram. Essa é a relação que eu e ele tínhamos.
- Isso não faz o mínimo sentido, se
nunca se encontram como você o conhece tão bem ao ponto de preencher quase todo
o prontuário dele? – O olhar de descrença no rosto de Nívea era evidente.
- Você ignorou um detalhe simples, só
existem esses dois pontos porque algo liga um ao outro. No nosso caso, o que
nos liga é uma amizade em comum, ela se chama Lyan... – Nuno parou abruptamente
– Puta merda! – ele exclamou, enquanto batia o punho fechado levemente na sua
testa.
Nívea franziu suas sobrancelhas
expressando sua confusão enquanto ainda tentava entender o raciocínio de Nuno e
entender a sua reação repentina quanto ao nome que ia pronunciar.
- Nívea, desculpe, mas tenho uma ligação
para realizar, já sei quem pode me dar o endereço atual dele e obrigado por me
trazer os resultados – dito isso, Nuno habilmente surrupiou os papeis na mão de
Nívea e sumiu de sua visão em questão de segundos.
“Humpf,
quem que esta usando táticas ninjas agora hein?” Nívea pensou, enquanto
aproveitava seus últimos minutos de descanso.
Nuno se encaminhou para o quarto de
Ender enquanto checava o resultado dos exames. Não precisava olhar o caminho
que estava percorrendo, conhecia o Hospital como a palma de sua mão.
“Bom,
colesterol e triglicérides, okay, e demais taxas estão okay também, nada relacionado
às suas taxas, funcionamento dos órgãos ou interações dos sistemas do seu
corpo, vou encaminhá-lo para Dr. Henrique, talvez ele possa verificar seus
sistemas nervosos, pode ser que tenha tido alguma lesão em alguma terminação
que o colocou nesse longo período de inconsciência”.
Enquanto caminhava pelos corredores
perdido em seus pensamentos, Nuno não percebeu os pequenos passos que
rapidamente tentava alcançá-lo. De repente, Nuno sentiu que alguém o puxou pela
manga do jaleco, ao olhar para trás, viu uma pequena figura, que mesmo com
saltos incrivelmente altos, não chegava a ultrapassar seus ombros. Tratava-se
de uma das interpretes do Hospital responsável por acompanhar alguns pacientes
que eram surdos e uma das pessoas mais confiáveis que Nuno conhecia no ambiente
de trabalho.
- Olha, não quero ser dedo duro nem nada
do tipo...– Beatriz falava rapidamente, enquanto olhava de um lado para o outro
e puxava a manga do jaleco de Nuno com mais força para que ele se abaixasse um
pouco até seu ouvido ficar mais próximo a ela – Ouvi o Coordenador do Hospital
falando com o Diretor a respeito do seu importantíssimo paciente.
Nuno não se admirou que Beatriz soubesse
sobre a importância acima da média que ele havia dado a Ender, ao ponto de
perder a compostura na frente de toda sua equipe, como era de costume, qualquer
ação fora do comum dentro do hospital por parte de quem quer que fosse se
espalhava tão rápido quanto uma gota de água caindo no oceano.
- O que falaram sobre ele? – Nuno
perguntou, embora, meio que já suspeitasse sobre do que se trataria o assunto.
- Eles estavam falando sobre questões
orçamentárias, se é que você me entende. Eles falaram sobre não poder manter o leito
ocupado por um longo período de tempo, caso ele não acorde nos próximos dois ou
três dias. Eles falavam que não tinham informações suficientes sobre ele, não
conseguem achar nenhum parente, nem indício de endereço, ele não portava
celular no acidente e ao que deu a entender sua documentação estava complicada
por estar manchada com sangue e quanto ao seu carro, era alugado de um hotel,
mas quando checaram o hotel, só obtiveram os dados que você já havia colocado
no prontuário.
Nuno suspirou, ele já esperava que essas
questões surgissem mais cedo ou mais tarde, porém, não esperava que fosse
surgir tão cedo assim.
- Obrigado Beatriz, não quero saber como
conseguiu todas essas informações, ainda tenho pesadelos com a última maneira
que me contou, mas... Vou tomar alguma providência com relação a isso – Nuno sorriu
e deu um beijo na bochecha de Beatriz.
- Que absurdo! Saiba que dessa vez foi
por apenas uma coincidência do destino, eu estava comprando um pedaço de bolo e
eles estavam sentados próximos a mim, acho que pensaram que sou surda, mas
deixando isso de lado, me agradeça me levando a algum restaurante algum dia e
tudo se resolve – Ela falou enquanto piscava seu olho de forma sensual. Ela era
loira, com olhos azuis escondidos atrás de grandes lentes oculares, pele branca
com leves tons de rosa nas bochechas, lábios rosados, um rosto infantil que não
mostrava em nada o quanto sua mente era pervertida, seu corpo era bem
distribuído, pequeno, porém com curvas e volumes que combinavam perfeitamente.
Nuno deu um sorriso de canto de boca e
lançou para ela um olhar irônico.
- Acho que não sou exatamente a “fruta”
que você gosta de comer, certo? – Nuno perguntou enquanto erguia sua
sobrancelha esquerda de forma provocativa.
- Pare de ser convencido! Lógico que
você não é nem um pouco a “fruta” que eu gosto. Você tem uma “banana” onde eu
prefiro um “morango”. Só quero alguém pra sair e beber um pouco – Ela falou
enquanto lançava um olhar de menina perdida pra Nuno e fazia um bico com a boca,
parecido com quando um bebe vai começar a chorar.
- Estou com pressa, depois acertamos
algo. E só pra constar seu bico e olhos doces não me convence em nada – Nuno
falou enquanto imitava a mesma expressão que Beatriz havia feito – Até depois.
- Então vai se foder! – Dito isto,
Beatriz deu as costas irritada e seguiu balançando seu imenso cabelo loiro
enquanto dava seus pequenos passos apressados de volta à pediatria, onde estava
uma das crianças que estava acompanhando como interprete.
Nuno somente riu e voltou a caminhar,
expressando uma calma que era somente fachada, pois em seu interior estava
terrivelmente angustiado com a notícia que recebera.
“O
que faço com você, hein?”
Ao chegar ao quarto em que Ender estava,
mas precisamente, no exato momento em que abriu a porta, Nuno encontrou uma das
estagiárias que estava prestes a colocar uma sonda vesical³ e estava se
preparando para realizar uma higienização no local. Para isso, a enfermeira
estagiária havia retirado os lençóis e puxou as vestes de Ender para expor seu
corpo, nesse momento, ambos haviam paralisado no tempo e ambos encaravam “certa
parte” do corpo de Ender. Nuno estava tão desnorteado quanto ela com a visão
que tinha, mas voltou ao normal mais rapidamente, porém, ainda assim, quando
falou sua voz soou tremula.
- Hm... Olá! Oi, bem... É, o que, o que
está fazendo, exatamente? – Nuno perguntou enquanto tentava manter sua atenção
na jovem e não olhar para o corpo de Ender.
Ao ouvir Nuno, a enfermeira se voltou
rapidamente para ele, ficando extremamente vermelha – Me pediram para que eu
viesse até este quarto para colocar uma sonda vesical³ nesse paciente devido ele
estar já há dois dias desacordado, para que a retenção da urina não viesse a
causar algum dano em sua saúde – Ela falou rapidamente, diminuindo o som de sua
voz a cada palavra, se tornando as ultimas, quase que sussurros.
- Ohh, sim! Muito
bem, tudo bem se eu acompanhar o procedimento? – Nuno sabia que isso a deixaria
extremamente nervosa, essa era sua real intenção afinal. Embora não entendesse o
porquê de ter se aborrecido com um procedimento tão comum.
- Cla... Claro, seria ótimo – Não havia
mais tons de vermelhos que descrevessem a pele dessa pobre moça.
Nuno ficou ao seu lado e manteve seus
olhos sobre ela, quase que a esmagando com a intensidade de seu olhar, não
deixando escapar nenhuma brecha. Sentindo essa pressão, as mãos da estagiária
começaram a tremer, o que estava dificultando suas habilidades para higienizar
o pênis de Ender, toda vez que ela tentava expor a glande, o pênis de Ender
escapava de suas mãos e isso a deixava cada vez mais nervosa. Não que o
problema fosse tamanho ou espessura, mas ao que Nuno observava, ela estava com
receio de segurar com firmeza e aquela parte acabar “ganhando vida” em sua mão,
certamente se isso acontecesse, ela teria um principio de infarto.
Imaginando a situação e desejando um
pouco que a situação acontecesse, Nuno se esforçou para manter um ar sério e
profissional, quando viu que a estagiária já estava nervosa ao ponto de
lágrimas começarem a se formar em seus olhos, ele relaxou seu olhar e a
consolou.
- Tudo bem em não conseguir, sonda
vesical é algo realmente complicado, principalmente se estiver alguém
presenciando e nos deixando nervosos – Ele leu o nome dela no bolso de seu
jaleco – Julie? Certo? Veja, não irei dar uma avaliação ruim para seus
professores, pode relaxar. Não precisa ficar nervosa, já passei por uma situação
semelhante e minha orientadora fez exatamente a mesma coisa que fiz com você.
Sei como se sente, mas, ela fez isso para que eu conseguisse me acalmar mesmo
sobre pressão, eu não consegui e acabei saindo da sala e levando uma enorme
bronca depois. Não farei isso com você, mas espero que entenda o porquê de ter
feito isso com você – Nuno sorriu e lançou seu encanto sobre ela, ele
reconhecia que era um homem atraente e sabia usar isso a seu favor em inúmeras
ocasiões.
Julie piscou algumas vezes, limpando as
lágrimas que impediam sua visão, então olhou Nuno e ao ver seu sorriso, entrou
em um leve estado de letargia – Okay, obrigada, isso me acalma um pouco, não é
a primeira vez que coloco sonda, mas nesta, fiquei um pouco nervosa,
geralmente, os homens que coloco sonda já são idosos e ver um tão jovem... Nesse
estado... Deixou-me aflita – Ela falou enquanto suspirava entre as ultimas
frases e desviava o olhar rapidamente para o rosto adormecido de Ender.
“Poupe-me!
Eu sei exatamente para onde você está desviando seu olhar a cada palavra que
sai da sua boca, “homem jovem nesse estado” um cacete, o que você nunca viu foi
um pau desse tamanho”.
Sem retirar o sorriso do rosto, Nuno
colocou as mãos nos ombros de Julie – Tudo bem! Entendo você. Façamos o
seguinte?! Eu coloco a sonda neste paciente, okay? E quando me pedirem para
avaliar seu desempenho, eu menciono suas habilidades com base no que me disse.
Estou confiando nas suas palavras, são verdadeiras, certo? – Nuno perguntou
enquanto levantava levemente suas sobrancelhas.
- Sim, já realizei muitos trabalhos
voluntários em um centro para idosos que foram abandonados pelas suas famílias.
Mas, não sei se posso aceitar, Dra. Paola é extremamente rigorosa, tenho medo
que ela descubra e...
“É
sério que você pensa que me convenceu com essa história de menina boazinha que
faz trabalho de caridade?” – Nuno perguntou a ela em seus pensamentos,
contudo, após uma breve pausa ele disse.
- Tudo bem, se falo que não precisa se preocupar,
então, você não precisa se preocupar – Nuno ainda mantinha suas mãos sobre os
ombros da estagiaria e exercendo um pouco de forma foi a encaminhando para fora
do quarto – Creio que tem mais uns quatro quartos que necessitam de troca de
sonda, pode ir adiantando estes, aproveite e antes de ir relaxe um pouco, eu
cuido desse aqui.
Dito isto, Nuno fechou a porta e seguiu
para o lado de Ender, onde calçou as luvas e agilmente fez a higiene e a
introdução da sonda, mesmo que seu coração estivesse disparado devido a estar
lidando com o pau de Ender que era estranhamente semelhante ao seu, com diferenças
somente nas veias, no de Ender eram mais proeminentes, a cor da glande que era
mais vermelha, enquanto a do seu era rosa e a direção, o de Ender aparentava
ser reto, já o seu tinha uma leve inclinação para a direita. Mesmo tendo que
lidar com essa situação, excitante até certo ponto, Nuno se manteve impassível,
mantendo sua postura profissional, mas guardando cada detalhe para quem sabe imaginar
algumas coisas depois. Após terminar, ele examinou as reações das pupilas de
Ender e verificou se ele respondia a algum estimulo doloroso. Para sua surpresa
ao friccionar o esterno4 de Ender com o dedo, ele reagiu produzindo
um leve e rouco som.
“Ótimo,
finalmente está atingindo algum nível de consciência”.
Após atualizar as informações de Ender
no prontuário, Nuno se encaminhou para a janela do quarto e começou a buscar em
seu celular um contato que há muito, muito tempo não buscava, ao encontrar, parou
um tempo encarando.
“Tomara
que você não tenha alterado o seu número, mesmo após seis anos, é bom que você
não tenha alterado a porra desse número”.
Reunindo um pouco mais de coragem, ele
finalmente tocou na tela para realizar a chamada. Após cinco toques ele estava
quase desistindo, quando afastou o celular de sua orelha e ia desligar, uma voz
soou.
- Hi Baby!
Ele não falou nada por um longo tempo,
então a voz continuou.
- Baby? Hi? Are you listening to me?
- Seu inglês continua péssimo como sempre,
não é? – Nuno soltou um riso fraco após dizer isso, revendo em toda sua mente
um filme repleto de amarguras e situações não resolvidas.
- Nuno? Oi, nossa, quanto tempo nós não
nos falamos, fazem o que? Cinco? Seis anos? Como você está? E tia? Não consigo
entrar em contato com ela a um longo tempo também e...
- Lyan... – Nuno a interrompeu –
Deixemos isso para mais tarde, okay? Estou com uma situação de urgência para
resolver.
- Ohh, sim, está bem. O que aconteceu?
Parece aflito.
- Preciso que me informe o atual
endereço de Ender ou o número de algum familiar.
- Ender? Porque quer saber sobre ele? –
Ao ouvir Nuno usar o nome de Ender deixou-a extremamente nervosa, não era comum
Nuno mencionar o nome de Ender o que dirá procurar saber de alguma coisa sobre
ele.
- Ele sofreu um acidente
automobilístico, não portava celular, seus documentos estavam difíceis de
identificar alguma coisa, ele está há dois dias inconsciente e seu débito no
hospital só aumenta.
- Nossa, co... Como isso aconteceu? Mas
ele está bem? Está em coma?
Era típico esse comportamento de
Lyandriam, ela sempre foi assim, essa característica de sempre fazer inúmeras
perguntas ao invés de responder uma, isso irritava profundamente Nuno.
- Não se sabe como aconteceu ainda, tudo
com relação a essa história está mal resolvido ou não faz sentido, é “como
tentar pegar fumaça com as mãos” (NT: Menção a Harry Potter E O Prisioneiro de
Azcabam, posteriormente saberão como essa menção se encaixa na vida deles. A frase original é: "É como pegar fumaça! É como pegar
fumaça com as mãos!"),
suspeitasse que ele perdeu o controle do carro, os legistas ainda trabalham
nisso, sim ele está bem, hoje ele já demonstrou um grau leve de estar retomando
a consciência, portanto, não, ele não está em coma. Agora podemos ser
objetivos?! Por favor?! Só responda minhas perguntas.
- Certo, certo, me desculpe. Vou
responder o que souber.
- Ótimo, primeiro, sabe o endereço atual
dele?
- Não.
- Como não? Até onde me contaram certa
vez, vocês estavam morando juntos no Canadá para ingressarem na Universidade de
Toronto.
- Okay, vamos com calma, isso foi a dois
anos atrás, de fato estávamos morando juntos aqui, mas... Oito meses atrás ele
voltou ao Brasil para resolver algumas coisas com as empresas que os pais dele
deixaram para ele como herança e bem... Não tive mais contato com ele nesse
período de tempo. Tentei ligar várias vezes, mas a chamada nunca completava.
Com relação ao seu endereço atual, estou tão no escuro quanto você. Ei, espere,
onde você está?
- Vila Velha, Espirito Santo.
- Ohhh, isso me surpreende bastante. Se me recordo
bem, você queria uma carreira internacional. Não imaginaria que se esconderia
aí. Como é, morar na parte sudeste do país, muito frio?
- Foco Lyan, foco! – Nuno já estava com
sua cabeça a pulsar e um suor frio começou a brotar de seu corpo – Espere, você
disse empresas?
- Sim, os pais dele faleceram em um
acidente a cerca de 1 ano e meio, no testamento eles deixaram 85% das empresas
que possuíam para ele e o restante para ongs e institutos de caridade.
- Puta merda! E o irmão dele, se não me engano
ele tinha um irmão, certo?
- Sim, mas se eu fosse você não contaria
com a boa vontade do irmão dele, ele levou a justiça essa questão da herança e
Ender foi ao Brasil, justamente para resolver essa situação, ver se estabelecia
um acordo ou algo assim. Não me recordo o nome da empresa, mas sei que era algo
ligado a uma linha de produtos agrícolas.
- Então o que me sugere que eu faça com
ele? Que o deixe apodrecer aqui sem ninguém? Que o jogue em uma calçada
qualquer? Ou que o mande em uma embalagem pelos correios até você? – Nuno já
estava terrivelmente impaciente com toda a situação.
- Bem... Poderia se acalmar um pouco
primeiro? Argh, você não mudou nem um pouco seu temperamento, sempre
estressado, por isso ficou careca tão cedo – Lyandriam sabia o terreno perigoso
em que estava andando, Nuno era extremamente vaidoso e diminuir sua beleza era
a forma mais fácil de ferir seu orgulho. Sem dar espaço para que ele
retrucasse, ela continuou – Estarei indo ao Brasil daqui a quatro dias, ao
chegar, entro em contato com você e pessoalmente irei buscar Ender e cuidar
dele, okay?
- Até lá eu faço o que? O deixo aqui no
hospital? Em dois ou três dias no máximo é bem capaz que o desloquem para Deus
sabe-se lá onde.
- Tenho uma sugestão quanto a isso
também. Leve-o para sua casa, estarei depositando na sua conta a quantia que o
hospital cobrou.
Nuno somente piscou algumas vezes, sem
ainda acreditar no que estava ouvindo. Depois de um longo tempo ele falou – É o
que? Acho que não te ouvi direito.
- Leve-o pra sua casa, fique com ele
durante esses dias, somente enquanto eu chego. Não será o fim do mundo. Creio
que você possa se ausentar cinco dias do hospital, certamente, ninguém o
questionará. Se ainda tiver todo o profissionalismo que demonstrava ter, isso
não será problema algum.
Nuno suspirou e finalmente após um tempo
em silencio ele concordou – Está bem, mais tarde informo minha conta a você,
vou resolver algumas coisas para leva-lo para minha casa. Realmente espero que
essa não seja mais uma das suas brincadeiras e que não demore mais do que cinco
dias para chegar até aqui Lyandriam.
Após dizer isso ele desligou a chamada e
se apoiou na janela suspirando.
“Parece
que os três se reuniram novamente depois de tanto tempo... Só quero ver quais
cicatrizes serão abertas dessa vez”.
Após pensar isso, Nuno se espreguiçou
para aliviar a tensão acumulada em seu corpo, olhou uma vez para o rosto de
Ender que dormia profundamente, seu rosto tinha traços leves e suaves quando
estava dormindo, diferentes de quando estava acordado, que tinha traços sempre
severos. Após olhar por cerca de 30 segundos, Nuno alinhou seus ombros e
caminhou para a recepção a fim de resolver logo essa situação e chegar em casa
o quanto antes para poder tomar um longo banho quente.
Alguns minutos antes. Em outro lugar,
uma mulher com cabelos longos e incrivelmente pretos, pernas grossas, bunda
extremamente empinada, cintura fina e barriga sem nenhuma gordurinha
indesejada, seios médios, naturais, incrivelmente firmes e com aureolas
rosadas, lábios finos, sedutores e sempre vermelhos devido ao frio que sempre
sentia, nariz levemente arrebitado, olhos de uma cor verde-escuro e rosto que
demonstrava pertencer a uma mulher extremamente sensual, independente e
poderosa. Tomava uma taça de vinho em uma banheira que exalava um cheiro de
rosas. Sua pele era branca, mas estava com uma coloração vermelha, não devido
ao frio que fazia, nem devido ao calor da banheira, mas devido à excitação que
sentia. Após tomar um gole de seu vinho, um dos seus celulares começou a tocar.
Uma musica (NT: A música era Você Sempre Será de Marjorie Estiano, Link: https://youtu.be/RSzAHgAMOms?list=PL3GjSZaCtp0vX0LnXGOFWHf6PDe4JsAru)de
fundo trouxe a ela lembranças de uma infância há muito tempo deixada para trás,
aos poucos ela foi retornando a si. De repente arregalou seus olhos e se
movimentou bruscamente para se levantar da banheira, batendo seu joelho em algo
pontudo.
- Auuuu! – Ela exclamou quando se
levantou e começou a passar a mão no local que bateu e viu que um leve corte
estava presente na sua pele.
- Você bate com o joelho na minha boca e
ainda diz “Auuu” – Um homem falou enquanto passava a mão nos cabelos e no rosto
para retirar um pouco da água e enxergar melhor, ele sentia que seu lábio
estava sangrando, mas não ligou para isso, só passou a língua em cima e disse –
Eu sei que estava gostando, que tal continuarmos um pouco mais? – Enquanto ele
falava foi se aproximando lentamente e colocou suas mãos nas duas nádegas de
Lyandriam enquanto ela estava em pé e buscava alcançar o roupão de dentro da
banheira, quando alcançou aqueles dois pedaços suculentos e sedutores ele
apertou e fez um pouco de força para que ela voltasse para ele.
- Me celular está tocando, quando eu
voltar, nós continuamos – Ela falou e deu umas tapas nas mãos daquele homem,
até que ele retirou suas mãos.
- E daí que está tocando? Você tem
quatro celulares. O que importa se um deles começa a tocar? – Ele falou sem
esconder sua frustração.
- Esse é especial, esse tem os meus
contatos familiares e amigos extremamente próximos. Devo atender – Ela vestiu o
roupão, se voltou para ele e segurou a cabeça dele com as duas mãos e deu um
leve beijo nos lábios dele – Já volto, cuide para que ele não perca sua
potencia enquanto estou longe – Ela falou dirigindo seu olhar para o pau do
homem que ela beijara, ela sorriu maliciosamente e antes que ele falasse algo
obsceno para retrucar, ela se afastou.
Quando viu o número, ela não o
reconheceu, somente após ouvir a voz do outro lado que ela soube de quem se
tratava. Durante toda a conversa seu coração dava saltos e mais saltos, um
misto de alegrias, tristezas, saudades e culpas brigavam para assumir a
liderança de seus sentimentos. Após finalizar sua conversa com Nuno, ela ficou
parada, sentada na poltrona do seu quarto, ainda com o celular no ouvido,
tentando de alguma maneira, ordenar seus sentimentos, finalmente ela afastou o
celular do ouvido, verificou se realmente Nuno havia desligado enquanto ainda
conversava com ela e sorriu.
“Não
leve a mau priminho, mas dessa vez, não estou indo até você para fazermos
brincadeiras, dessa vez, resolveremos todas as nossas pendências, ou melhor,
dessa vez, farei com que vocês dois tomem um jeito nessa porra de vida que
vocês têm”.
- Lyan? – Uma voz soou de dentro do
banheiro a trazendo de volta para a realidade. Quando olhou para a porta do
banheiro um homem surgiu na porta com somente uma toalha em sua cintura, ele se
escorou com seu ombro na porta e cruzou os braços e ficou olhando para ela,
depois de um tempo, ele falou – Você demorou tanto que ele não resistiu ao frio
e diminuiu.
Ao ouvir isso ela olhou para a toalha e
não viu nenhum volume, então ela riu, se levantou, andou lentamente até ele,
enquanto soltava seus longos cabelos e retirava o roupão, tudo isso sem desviar
seus olhos dos olhos dele, quando chegou onde o homem estava, passou umas
longas unhas descendo do peito dele até onde a toalha dava o nó, ela o puxou,
fazendo com que a toalha caísse, desceu sua mão até que seus dedos envolverem o
pênis dele e firmemente apertou – Só me resta animá-lo novamente então, tenho
certeza que meu calor vai dar vida a ele novamente – Enquanto ela falava isso,
aproximou-se da orelha dele e mordeu com força, o homem já estava ofegante com
as provocações que ela estava fazendo, ela brincou um pouco mais com o pênis
dele, então lentamente ela se afastou um pouco e empinou a bunda, se curvando
para frente até sua boca ficar no mesmo nível da cintura do homem. Até colocar
a cabeça do pau dele na boca, que a esta altura já latejava de desejo por ela,
ela brincou com seus lábios e língua, o provocando cada vez mais. Quando ia
colocar finalmente todo aquele pau quente e pulsante em sua boca, seu celular
tocou novamente, fazendo com que ela hesitasse e ouvisse qual era a música que
estava tocando (NT: Para cada
situação ela tem uma música diferente, um hábito que os três desenvolveram,
essa música em questão era Coisas Que Eu
Sei de Danni Carlos, todas as
músicas da Layndriam retratam de forma irônica a sua realidade. Link: https://youtu.be/wYGPDTJSNiQ), depois
de perceber qual era o celular, ela se endireitou e disse – Tenho que atender,
esse é do trabalho.
Sem mais explicações ela deu as costas
ao homem e correu até sua cômoda para pegar seu outro celular. Após cerca de 30
minutos falando no celular, explicando a uma colega como realizar certo
procedimento, ela percebeu o silêncio que habitava seu apartamento. Após olhar
o banheiro e se dirigir até a sala a procura do homem que estava com ela, não
encontrou nada, exceto um bilhete na mesa de centro.
“Tenta
foder com o seu celular, ele tem mais sua atenção do que qualquer outra pessoa
no mundo”.
Após ler o bilhete ela só deu uma leve
risada (NT: Rindo de nervosa) com a
situação pela qual estava passando, essa já era a 16ª vez que sua transa era
interrompida de alguma forma. Só com esse cara era a 4ª vez.
“Ai vida filha
da puta!” – Ela
pensou enquanto limpava uma lágrima no canto de seu olho e continuava a rir. “Voltei à estaca zero, de novo, pelo visto,
antes de viajar vou ter que comprar um vibrador novo, os outros estão com as
baterias falhando”.
Informações:
1 – Jardim Terapêutico é uma modalidade de cuidado alternativo que
busca auxiliar na recuperação da saúde de pessoas doentes. Ver Imagem (FONTE:
http://istoe.com.br/wp-content/uploads/sites/14/istoeimagens/imagens/mi_7103698278466467.jpg)
Imagem utilizada meramente como exemplo na narrativa da história.
3 – Sonda Vesical - É a introdução de uma sonda estéril através da uretra até a
bexiga, com a finalidade de drenar a urina. Deve-se utilizar técnica asséptica
no procedimento a fim de evitar uma infecção urinária.
4 – Friccionar o Esterno é uma das
técnicas descritas ao realizar a Escala de Coma de Glasgow que serve para medir
o grau de consciência de um paciente por meio de uma pontuação que varia de 3 a
15. Ver imagem (FONTE: http://aenfermagem.com.br/wp-content/uploads/2012/11/Escala-de-coma-de-Glasgow-500x354.jpg)
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